domingo, março 28, 2010


"Medo, era medo de errar. Tarde, muito tarde pra consertar. Sem você, deixo de ser o que desejo. Eu não sei reconhecer o que não vejo. Não vou fabricar alguém pro seu lugar."








Fiquei sabendo que o Jay Vaquer faria show em São Paulo no domingo passado, 21, pois estava lá, na Capital. Estava fazendo uma redação quando, de repente, ouvi na rádio. Em um primeiro momento pensei que tinha ouvido demais, mas depois repetiram.
Cheguei em casa - não, não moro na Capital, moro no litoral -, acessei a comunidade e vi que não, não tinha ouvido errado. E, ainda por cima, o show tinha sido adiado uma ou duas vezes. Era um sinal! Eu, pelo menos, tomei como sinal.
Pedi pra minha mãe mas ela negou. Não, ela não quis me levar, ela nem analisou a hipótese. Apenas disse "não", e pensou que esse "não" barraria a minha vontade e o meu amor - meu enorme amor - pelo Jay.


Passei a semana toda falando do show, armando meios para ir e voltar em segurança, todas as aulas, todas as vezes que ia dormir e acordar, o que vinha na cabeça era o tal show. A semana se aproximava do fim e sábado, 27, estava cada vez mais próximo. A minha ansiedade e desespero só faziam aumentar. Aumentavam demais, sensação única, indescritivel, até.


Enfim chegou sábado. Percebi que, se quisesse ir e voltar de ônibus - o modo mais seguro -, faltaria algum dinheiro. Foi quando entrou Mariana na história. Minha fiel escudeira, me emprestando dinheiro, relembrando os bons tempos de ensino fundamental.
Pela manhã, tinha um apresentação no Colégio. Meus pais foram, me viram e ficaram pra lá de orgulhosos. "Filho, você mandou muito bem! Tava lindo lá em cima." Por um momento eu pensei em desistir. "O quê? Decepcionar meus pais?" Talvez egoísmo da minha parte, mas esse show tinha um imã. Uma espécie de imã que me atraia, me puxava.


E quer saber? Pedi para meus pais me deixarem no apartamento da Leticia - ao lado do terminal onde saem os ônibus - e fui me trocar. Coloquei uma roupa legal, arrumei o cabelo (ou pelo menos tentei), passei um perfume e fui ao tal terminal. À medida que a "cabine" onde vendiam os ingressos se aproximava, o meu medo aumentava. "E se der errado?" ou "E se me assaltarem?" As minhas pernas começavam a tremer e falhar, o que se evidenciava na falta de força pra andar, por isso, a cada passo que eu dava, mais demorado era para chegar. No entanto, em apenas um lance, joguei o dinheiro por debaixo da "janelinha" e pedi a tal passagem. Pronto. Não havia mais volta.


Peguei as passagens, o ônibus chegou e eu me despedi, aos prantos, das minhas amigas Letícia e Mariana. Mas não só elas. Natália, Daiane, Glaufer e João se puseram tão preocupados quanto as minhas amigas.
Ok, o ônibus partia. Aquela sensação de estar deixando a cidade, por milésimos de segundos, parecia mais real. Quero dizer que... Não sei. Eu apenas quis que aquela partida fosse "pra sempre", que eu não precisasse mais voltar. Tudo bem. Coloquei "I Gotta Feelin" para tocar, eu sei, um tanto quanto clichê, mas me dava a segurança que sim, aquela noite seria uma ótima noite! Em seguida, coloquei o CD "Alive In Brazil" do Jay Vaquer, e a certeza de que eu estava fazendo a coisa certa aumentava.


Ao chegar em São Paulo - no Terminal Jabaquara -, a insegurança para onde (e como) ir era grande. Eram muitas pessoas. Isso me assustava.
Por um momento lembrei do meu cachorro - Billy. O lado bom de ele ter falecido, é que agora eu o sinto do meu lado em todos os lugares pra onde eu vou. "Life's too short, Luke." Foi o que eu pensei. A vida é muito curta. Meu cachorro é a prova disso. E com ele "do meu lado", segui até o metrô; comprei o bilhete e fui lendo os tais "mapas" que indicam os locais.


Eu estava vestindo um colete que só usei em uma festa, em toda minha vida. Ela pertenceu a um dos meus melhores amigos que também é falecido, e eu não o usei a toa. Não foi por falta de peças de roupa. Tinha um significado pra lá de especial. Meu bisavô Wilson e meu cachorro Billy. Por um momento apareceram juntos, na minha frente.


Aquele colete me traria sorte, e não é que trouxe? Até no momento no qual eu poderia ter sido assaltado, um policial me aparece. E o tal "rapaz" que me perseguia, havia desaparecido. Entrei, por fim, no outro vagão, após ter feito mais uma baldiação. Foram muitas, não sei ao todo quantas. Segui, fiz amizade com a "Juliane", pessoa do bem, da paz, otimista, me deu forças e me ajudou a chegar no tão esperado destino. Senti falta da Ced que teve que ir embora mas, até então, havia me acompanhado nessa "loucura".


Cheguei na estação - Granja Julieta -, acho que nunca vou me esquecer dela. Era deserta, havia poucas pessoas, mas o ambiente era muito bonito. A passarela era envolvida por uma espécie de estrutura arquitetônica redonda, eu me sentia dentro de uma bala de revólver. E, de fato, estava. Não literalmente, evidente, mas em um sentido figurado. Sabia que aquela bala dispararia duas vezes. A primeira, quando chegasse no show; a segunda quando chegasse em casa. Eu precisava apenas... Puxar o gatilho.


Conheci um dos melhores - senão melhor - amigo da Ced, o Joe. Talvez, a frase que mais me marcou no dia foi a dele. "Você já chegou longe demais." Talvez uma advertência, mas naquele momento, para mim, foi mais que um incentivo. O gatilho havia sido puxado.


Cheguei, portanto, na frente da HSBC Brasil. Mas agora eu já estava acompanhado. Uma pessoa super simpática que segue a carreira do Jay estava comigo. Chegamos juntos ao local, comprei meu ingresso e pus a me sentar no local indicado. De camarote, permita-me detalhar.


Alguns minutos depois, chegavam três meninas lindas, simpáticas. Eu não tenho como agradecer à elas por toda força, toda simpatia, toda recepção. Imagina, gente. Meu primeiro show.


Teve todo um show de apresentação que, embora não tenha dado pra ouvir a voz da vocalista muito claramente, a batida era boa. Pra quem não conhece e tem curiosidade, o nome da banda é "Mixtape".


Ok. Era hora do rei, do mestre, do senhor Jay Vaquer entrar. A partir desse momento eu já não tenho mais palavras pra descrever. O momento foi muito meu, ainda não inventaram palavras que cheguem nos pés do que foi aquele espetáculo. Mas o melhor ainda não contei a vocês. O melhor é que eu o conheci pessoalmente. Sim, pessoalmente! Fui ao camarim, tirei fotos e fiz um vídeo. Prometo disponibilizá-lo em breve.


ATENÇÃO AQUI: Sucesso não quer dizer qualidade. Vejam "CINE", por exemplo. Representa parte da escória da música brasileira. Letras contraditórias, vergonha alheia e modinha. Agora Jay Vaquer, muito menos reconhecido pela mídia, é o que faz Renato Russo sorrir, esteja ele onde estiver. Nós devemos muito a artistas como Jay Vaquer, que ainda provam que qualidade é mais importante do que quantidade. E que conteúdo e conhecimento ainda são fundamentais. Meu muito obrigado ao melhor cantor da música brasileira e ao nosso melhor representante. Sucesso, muito sucesso a você, Jay!


Terminando a noite, vim de van para casa, ainda bem que tinha uma vaga sobrando, e cheguei pelas 5h. Minha mãe reclamou muito, falou muito, ainda tá decepcionada comigo... Assim como toda família. Isso tudo porque eu "fugi" de casa. Sim. Ela não sabia que eu tava em São Paulo. Liguei pra ela logo depois do término do show e disse "mãe, tô no show do Jay Vaquer". Ou seja, não avisei nada. Mas o plano foi todo muito bem elaborado. Meus amigos sabiam onde eu tava. E tinham completo acesso a mim, a qualquer hora, pelo celular. E pode ser, novamente, egoísmo da minha parte, mas valeu cada fração de segundo, cada milésimo! Agora, uma confissão: tô apaixonado por Jay Vaquer. Mais.

Um comentário:

Chris Gar disse...
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